karl Own

Portugal

Portimão

“preciso de arte mais séria… série… certa… síntese… cera…”
Borra! Estou a ouvir mal(o), oops – a ver também…
Clinicamente seria bom ou mau(o) seguir esta lógica diáfana do promotor?

Mas a minha natureza diletante tentará em vez da seriedade a diversidade, em vez da sobriedade e perícia técnica ou qualidade pictórica, os atributos do instinto, as tonalidades ásperas do acaso e a surpresa imagética: Pop goes the weasel.
Nestes anos de artimanhas artísticas calibradas a ready-made e seus escoramentos, foram anjos ou demónios que abriram o jogo, foram tralhas variegadas ambicionando temáticas e interações, explorando as matérias colecionadas ao arbítrio, procurando um sentido através do acto de fazer: carnaval de favela, alma de trolha em corpo burguês, simulacro de uma festa de resíduos que encontrou um enorme território instantâneo onde tudo aconteceu, os extraordinários simplesmente…Vinho.
Sim, saltimbanco de cruzamentos fortuitos, acrobata da artifania, cenógrafo de resíduos urbanos ou talvez não. A essa efemeridade vínica ir de novo, no desfile indeterminado, seus ténues vislumbres, a sua emanência de elegantes sabores, seus inúmeros eflúvios, no timbre eloquente da poesia… aos meus pedaços desse epifenómeno único, festa e simbiose, revelação e alegria, dar-lhes uma pontuação, um sopro, uma latência.
E desse cortejo de colagens, recortes, pichagens, instalações, milagres e desilusões, fique talvez um doce encanto na brisa da memória. Vinagre sem dono. Keijo mao.

E por aqui? O que ter? O que verter? O que fluir?
Restos de papeis e tintas, novos rasgões do quotidiano em supraciclo.
Séria é a vida, a arte é uma aventura. O vinho simplesmente a ap(t)ura.

You do not need guidance, but you think you do. Guidance to what, a fixed point?
Krishnamurti

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