João Tavares de Pina 2018-02-01T12:46:45+00:00

João Tavares de Pina

Portugal

Dão

Penalva do Castelo

João Tavares de Pina

Fator XPTO: Singularidade, tal como não há dois dias iguais.

O vinho para mim, não pode nunca ser perfeito, consensual e menos ainda reprodutível. A perfeição (em sentido absoluto), sem pontos de discórdia, sem arestas e agrumes, transforma o vinho em aborrecimento, cansaço, saturação, limitando o prazer, por eliminar completamente os caracteres distintivos que identificam os diferentes estilos. O vinho com dimensão, o vinho que nunca esquecemos, vive sobretudo das diferentes sensações que é capaz transmitir, da capacidade que tem para nos surpreender com novas experiências gustativas, da facilidade com que se mimetiza, se transforma e surpreende com novos disfarces que se sucedem à medida que o investigamos, sem nunca permitir que o identifiquemos completamente, para além de que, a percepção destas variáveis sensoriais, nunca é consensual, algo de irrefutável e inerente ao carácter subjetivo de qualquer avaliação sensorial.
Nas regiões temperadas, sobretudo nas mais frescas, onde as maturações só se atingem em desespero, os standards obtidos são sempre muito diferentes, e, se ao fator climatérico, associarmos todos os outros relativos ao terroir, diversidade de solos até dentro da mesma parcela de vinha, uma enorme variedade de castas em cada parcela e ainda a particularidade de nos encepamentos mais velhos não haver qualquer homogeneidade, e cada planta ser uma unidade completamente distinta em dimensão, forma e vigor, maior será a complexidade do vinho obtido e maior a diferença entre colheitas. É possível associar um estilo a um determinado produtor, encontrar um fio condutor entre diversas colheitas de um mesmo produtor e de uma mesma parcela, mas impossível de se impedir que o efeito das variações climatéricas anuais produza efeitos substanciais no carácter de cada colheita, tornando-as completamente distinta.

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